Emerson Leitão– Artista Plástico
 
Falar de Arte é falar da vida, é falar de algo que todas as pessoas vivenciam, de alguma forma, no seu cotidiano. Está presente nos utensílios indispensáveis nas cozinhas, na construção, na pesca, na economia como um todo: da elaboração, passando pela produção até a comercialização… Todos nós cantamos em um ou outro momento da vida, dançamos, desenhamos, escrevemos, fazemos teatro, e como fazemos muito teatro! esculpimos, pintamos. Nem todo mundo canta sempre, mas todo mundo ouve música quase que diariamente. Nem todos criam peças artísticas, mas todos as apreciam, pois a Arte está profundamente entranhada na nossa vida, nos faz bem, nos faz mais verdadeiros, nos mostra caminhos. A arte é uma expressão humana genial, expõe sonhos, dúvidas, amplia o horizonte das pessoas, torna a vida mais agradável, manifesta sentimentos, é também válvula de escape de um ritmo de vida frenético, ensandecido…e é nesse momento, sensível, delicado, o qual gera dúvidas, ansiedades, onde a Arte muitas vezes penetra, enraiza, faz o seu papel, retornando às ruas, o berço das Artes…
 
A arte original, que expressa sentimentos e histórias, é nua e crua… tem cheiro de terra, de chuva, cheiro de mato, é temperada com pétalas de rosas e muita pimenta, com suor, polêmica e conflito. 
 
A Arte, dizem alguns, deve cheirar a perfume francês e ser fiel como um cãozinho, porém, dizem outros: a Arte é livre, indomável, não se dobra a galanteios, corrupção, sigla politica ou religiosa. A arte tem o poder de despir, desmascarar, saborear a essência das coisas. É, indispensável, na formação da nossa personalidade, alimentando os mais genuínos sentimentos de liberdade, auto-estima, respeito, igualdade…
 
A cidade de Gurupi já foi uma grande oficina de Arte, quando vários artistas de grupos de teatro, poetas, escritores e artistas plásticos se juntaram, idealizaram e realizaram várias edições das Semanas Culturais de Gurupi. O teatro, através do I e II Circuitos Timbá, percorreu mais de 20 cidades do antigo médio-norte de Goiás. Estes eventos, entre outros, que deram destaque a cidade de Gurupi, foram realizados com a garra dos artistas.
 
Mas, isto é coisa do passado, os artistas deram um grande empurrão, realizando atividades culturais, com o mínimo apoio do Poder Público, na maioria da vezes sem nenhum tipo de apoio. E depois de tantos anos, o Poder Público não assumiu o seu papel, utilizando-se, ainda, do velho canto da sereia para iludir os menos atentos. Imaginem só, uma estrutura física e de pessoal mantida por anos e que jamais elaborou uma política de ação. Pouquíssimas e inexpressivas atividades foram realizadas, e quando um artista bate à sua porta esta nada tem a oferecer. Imaginem agora o dinheiro que foi gasto durante esses 10 longos anos de Fundação Cultural e Secretaria de Cultura, para manter o Centro Cultural Mauro Cunha aberto, o qual serviu mais como velódromo do que como Centro Gestor da nossa Arte. Muitas atividades poderiam ter sido desenvolvidas com esse dinheiro usado apenas para manter uma fachada.
 
Por que, pergunto, o poder Público Municipal de Gurupi permanece ausente, se a ele cabe o papel de incentivador, apoiador das atividades Culturais? Por que, nunca há dinheiro para investir na arte no município de Gurupi? Por que não se utilizar da Arte, esse poderoso instrumento, com o objetivo de evitar muitas mazelas existentes no nosso meio? Crianças de rua, sem perspectivas, viciados, infratores, e outras formas de violência. Por que criar uma Fundação Cultural, e por 8 anos mantê-la engessada e depois extingui-la sem que A Fundação ao menos tenha o seu projeto de criação aprovado na Câmara Municipal? Por que criar uma Secretaria Municipal de Cultura e virar as costas para a Arte local?
 
Fundação Cultural ou Secretaria de Cultura, são Instituições, que existem para desenvolver e apoiar atividades culturais, portanto o desenvolvimento e fortalecimento das Artes devem ser objetivos primordiais da Secretaria Municipal de Cultura. Secretaria de Cultura é apenas um meio, um instrumento que deve ser utilizado para atingir um fim, e não um fim-em-si-mesmo. Se a Secretaria Municipal de Cultura não tem Política Cultural, plano de ação traçado com objetivos claros, não estimula a arte local, qual é o seu objetivo, qual a razão da sua existência? O que acontece nos seus bastidores? Esta Secretaria foi criada para atender aos interesses da comunidade, da Cultura local ou aos medíocres interesses pessoais de políticos sem escrúpulos?
 
No município de Gurupi existem muitos artistas com grande potencial, infelizmente são passageiros de um barco sem leme e sem capitão. Nos velhos tempos, quando os artistas, organizados, com criatividade elaboravam e dirigiam as atividades culturais, muita coisa acontecia. Infelizmente este tempo passou e a direção do movimento cultural foi confiada a algumas pessoas investidas de funções públicas, que traíram ardilosamente aqueles a quem deveriam representar. A Arte, sufocada, estrangulada e esquecida pelo Poder Público espera uma atitude digna dos seus gestores. Assumam seus papéis, façam por merecer os seus cargos e salários. 

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